De gari à cantora, Amanda Campos divide sua paixão de infância com a profissão e o dia a dia em casa

Mesmo com seu trabalho de gari, Amanda (da esquerda) não abandona a música e sempre que pode faz apresentações em casas de show ou eventos

Desde pequena, quando começou cantando Roberto Carlos, Amanda Silva Campos, conhecida como Amanda Campos, nunca escondeu o seu amor pela música. Mesmo trabalhando em diversos locais, paralelamente levava o instrumento para tocar nas horas vagas. Com a música no coração, atualmente sua atenção é dividida com seu filho e sua profissão de gari.  

Há cinco anos concursada como trabalhador na Prefeitura de Praia Grande, Amanda conta que já foi mais difícil conciliar a rotina corrida de sua vida. “Teve uma época em que eu tocava muito a noite, era de sexta a domingo, e eu trabalhava na Comeri. Logo depois que meu filho de 2 anos nasceu, o ritmo de tocar na noite diminuiu, até porque cansa”.

Amanda escolheu a música após participar de projeto na extinta Casa da Cultura. “O projeto desabrochou essa vontade, foi por isso que entrei na música. Toco percussão e faço backing vocal em uma banda de baile, onde nos apresentamos pontualmente, nos eventos que tem da virada de Santos, das tendas. Faço parte de um projeto com o produtor musical Ângelo Siciliano. Nós gravamos jingles políticos. A maioria dos que existem na Praia Grande, nós que gravamos”.

A cantora/gari enfatiza que mesmo seu amor pela música se mantendo forte, agora só canta por prazer. “Trabalhando de gari na Prefeitura, entro às 7h e saio às 16h30. Praia Grande me dá possibilidade de também fazer música, por conta do meu horário flexível, mas é por prazer mesmo”, explica.

Preocupada, a cantora diz que viver da música é difícil. “A valorização é o mais difícil. Consigo ver que há muita coisa ruim entrando no mercado e a galera que estudou e se dedicou à música está de lado. A impressão que dá é que as pessoas não valorizam aquilo que é bom. E com isso quem realmente se dedica não tem espaço no mercado”.

Cheia de sonhos, sempre teve vontade de fazer faculdade de música. “Meu problema era pensar ‘vou investir uma grana em algo que não sei se vai dar certo’ aquela coisa bem capitalista sabe? Na verdade, sempre sonhei em fazer faculdade de música para virar maestrina. Fui crescendo e vi que realmente a vida não é assim. Mesmo tendo vontade e dedicação”.

12/08/2019

Texto: Danielle Martins

Foto: Arquivo Pessoal

 

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