Editorial
Resultados e estratégias de campanha

 


Que o Bolsa Família é a maior ferramenta eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar eleger sua sucessora, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, todo mundo já sabia, até porque foi o programa que garantiu sua reeleição. A comprovação que a estratégia dos petistas deu certo ocorreu nesta semana, quando uma pesquisa Datafolha mostrou Dilma na frente do pré-candidato do PSDB, o governador José Serra (PSDB), entre os eleitores beneficiados pelo Bolsa Família.

Foram entrevistados pelo Instituto 2.623 brasileiros com mais de 16 anos, em 144 municípios nos dias 24 e 25 de fevereiro. Entre os beneficiados pelo programa, 10% do total pesquisado (cerca de 260 eleitores), Dilma alcança 40% dos votos, contra 25% de Serra, 10% de Ciro Gomes (PSB) e 8% de Marina Silva (PV). A liderança da petista chega a 46% entre os inscritos no Bolsa Família no cenário sem Serra e Ciro.

Porém, os números não se confirmam no total da pesquisa, nem entre os beneficiados do programa Minha Casa, Minha Vida. No geral, Serra vence Dilma com 32% a 28%. Já entre os participantes do programa habitacional do governo federal, 4% dos entrevistados (cerca de 100 pessoas), a liderança do governador de São Paulo chega a 35%, contra os mesmo 28% da ministra.

Provavelmente, a diferença dos resultados possa ser explicada pelo perfil dos participantes dos dois projetos federais. O Bolsa Família é destinado a famílias com renda mensal de até R$ 140,00 por pessoa e os valores pagos – entre R$ 22,00 e R$ 200,00 – variam de acordo com o grau de pobreza e o número de filhos com até 17 anos. Já o Minha Casa, Minha Vida é destinado a famílias com renda mensal de até R$ 4.900,00. O primeiro programa possui atualmente 11 milhões de famílias inscritas, enquanto que o segundo, lançado no ano passado, pretende fechar contratos de financiamento com 1 milhão de moradias em 2010.

Claro que como toda pesquisa, essa é somente uma mostra que pode se refletir no restante do Brasil, que possui aproximadamente 130 milhões de eleitores. Mas não há como negar que é uma boa estratégia eleitoral, já que no governo há sete anos, o PT usa o dinheiro público nos programas e divulga o nome da pré-candidata pelos quatro cantos do País. Serra faz o mesmo, só que em menor escala, mas no maior colégio eleitoral brasileiro, São Paulo e contará com o apoio dos companheiros de partidos que comandam outros estados e municípios para fazer campanha em seu nome. Desde já, a disputa presidencial demonstra que será bem emocionante, aguardemos então.


Confira a Charge do Dia!

Gazeta do Litoral
4 e 5 de março 2010