São Paulo dá a Beyoncé o maior show da sua vida

Cantora conseguiu o que só dinossauros do rock e pop foram capazes: colocou 60 mil pessoas para cantar no Morumbi.

Com apenas 28 anos, a cantora de pouco mais de dez de carreira conseguiu o que apenas dinossauros do rock e pop foram capazes de fazer: encheu o Morumbi na noite de sábado e colocou 60 mil pessoas para rebolar. O mise-en-scène tem início com a abertura das cortinas negras, que escondem uma silhueta cheias de curvas. O figurino dourado revela um produto à beira da perfeição. Corpo volumoso, voz talhada no soul, olhos que ao mesmo tempo passam malícia e candura.

Com a abertura de Crazy in Love, às 22h20, deixou claro que a noite seria dela e de ninguém mais. Dançarinos musculosos, uma banda formada só por mulheres, um trio de estilosas vocalistas batizado de The Mamas e um telão de altíssima definição no fundo do palco formavam os adereços das pouco mais de duas horas de concerto. Sem chuva, porque São Pedro é eclético e gosta tanto de Metallica como de Beyoncé, dando uma trégua nas duas apresentações no Estádio do Morumbi com intervalo de uma semana.

Mesmo quando traja figurinos como um maiô branco - na segunda parte do show com início em Smash Into You - e um vestido de noiva - quando entoa Ave-Maria -, Beyoncé ganha perdão pelo exagero. O bombardeio de prêmios e elogios untados ao talento inegável da artista nos faz relevar seus pecados fashionistas.

Beyoncé se emociona com a reação impressionante da plateia. A todo momento agradece: "Este é provavelmente o maior show da história da minha vida." O som perfeito ganhava força nos graves, que eram sentidos no peito como se um soco o atingisse a todo momento. Era impossível perceber se Beyoncé dublava ou não. Caso existisse um playback, tudo era muito bem ensaiado. O primeiro bloco trouxe músicas animadas, com referências ao funk e à disco, como em Naughty Girl.

A segunda parte foi dedicada às baladas. Era o instante dos casais que pagaram R$ 600 por cabeça na pista VIP usufruírem o momento fofura. Broken Hearted Girl antecede If I Were a Boy. Beyoncé, de figurino preto, emenda You Oughta Know, de Alanis Morissette, e faz a temperatura subir novamente. O telão acompanha sua performance com um show de imagens e vídeos destinados a colaborar com a imagem de super-heroína indestrutível.

Um palco menor montado no meio do gramado do Morumbi levou Beyoncé a cantar Sweet Dreams, Check On It, Say My Name e ainda a relembrar em um medley os hits do Destiny"s Child (Bootylicious, Bug A Boo e Jumpin" Jumpin"). Em Say My Name, pegou uma entre as milhares de "bibas" que se apertavam nas grades e perguntou seu nome: "Samir!", respondeu, antes de começar a chorar.

Beyoncé voltou ao palco para tocar seus dois maiores sucessos. Precedida de vídeos caseiros da coreografia de Single Ladies (Put a Ring on It) - que conta até com Obama -, cantou para um público em êxtase. Halo fechou o concerto e homenageou Michael Jackson. "Vamos cantar isso para o Rei, pois só vai existir um Michael Jackson", pediu Beyoncé, dê joelhos, ao público. Marketing, voz, visual e apelo popular. Beyoncé é o pacote completo.

Foto: Divulgação / AE
Gazeta do Litoral
[ 10:42 ] Segunda-feira
8 de fevereiro de 2010

 

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