Aplicativo ajuda mulheres a denunciarem agressores

Ferramenta funciona como um Botão do Pânico e Praia Grande foi uma das primeiras cidades a estudar sua implantação



Com a intenção de amparar e agilizar os atendimentos às vítimas de violência doméstica é que foi criado o aplicativo Mulher Denuncia, ferramenta semelhante ao Botão do Pânico, permitindo que mulheres sejam localizadas e agressores sejam flagrados mais rápido.

O projeto foi desenvolvido com base nos índices de violência, já que o País é o quinto no ranking mundial de feminicídio, conforme o Alto Comissariado das Nações Unidas pra os Direitos Humanos (ACNUDH).

Quando a vítima aciona o botão, os dados são enviados à polícia ou Guarda Civil Municipal em segundos. Para um dos criadores, Umberto De Vuono, a ação é feita por muitas mulheres não conseguirem ligar pedindo ajuda. “Em algumas situações o agressor está por perto, em outras, está nervosa demais para explicar o que está acontecendo e por medo de se expor.”

O dispositivo foi criado em 2016, quando a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06) completou dez anos. A ideia surgiu de forma involuntária, num almoço em família, pelo advogado Gabriel De Vuono e seu pai Umberto De Vuono devido ao número de casos de violência que Gabriel atendia na assistência jurídica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), já que na época ainda cursava Direito.

Foi quando começaram a pensar como a tecnologia poderia contribuir para a redução dos casos. A partir disso, a família, que mora em Santos, desenvolveu rascunhos e levou em empresas e no PUC Empreende, fórum que apoia projetos sem fins lucrativos, sendo possível desenvolver a pesquisa com o auxílio de alunos.    

ESTUDOS EM PG – Hoje o projeto está à disposição de qualquer Prefeitura e uma das primeiras interessadas foi a de Praia Grande. Em 8 de março de 2018, no Dia Internacional da Mulher, o Município assinou um termo com direitos ao aplicativo por 24 meses, de forma gratuita, para ser usado da melhor maneira, como teste, apenas para medidas protetivas, entre outros.

Quando é disponibilizado às cidades é entregue a ‘fonte aberta’, permitindo que as prefeituras o adaptem de acordo com a necessidade, podendo incluir outros programas que são voltados ao público. “Praia Grande tem tudo para o aplicativo funcionar bem, pois tem uma central de câmeras completa, além de ter o auxílio da GCM”, afirma Umberto.

No ano passado, uma em cada três mulheres, sofreu algum tipo de violência, segundo o DataFolha. Para Umberto, é preciso providências. “Ter um botão como este oferece conforto, mas não é a solução, e sim uma ferra-menta que soma no combate dos casos. O que pode acabar com isso é a educação, por isso é necessário que as cidades tenham mecanismos e não falo só do nosso projeto, mas de qualquer outro que abrace a causa. O nosso é gratuito e não vejo interesse dos gestores. Para reverter a situação não precisa ser especialista. Não entendíamos nada e conseguimos criar algo, então é possível modificar a sociedade se cada um fizer um pouquinho”, concluí.

PROJETOS - A Prefeitura praia-grandense disse em nota que a implantação do Mulher Denuncia está em fase de estudos. Hoje a Cidade possui o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), na rua Emancipador Paulo Fefin, nº 775, no Boqueirão, que oferece orientações às vítimas de violência, seja física ou psicológica, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

No primeiro trimestre foram atendidos 42 casos e, desde o início do serviço, em 2011, houve 552 casos. Os atendimentos ocorrem na maior parte por encaminhamentos da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Para receber ajuda não é preciso o registro de ocorrência.

Existe ainda uma rede de enfrentamento à violência desde 2016, que envolve políticas públicas das Secretarias de Assistência Social e Saúde, Defensoria Pública, Promotoria Pública, Conselho Municipal do Direitos da Mulher (Comdim) e Ong Defesa e Cidadania da Mulher (DCM), com reuniões feitas bimestralmente para discutir melhorias.

Segundo a presidente do Comdim, Vânia Gimenez, o órgão apoia qualquer projeto que seja a contra a violência. As reuniões acontecem na última sexta-feira de cada mês e todos podem participar. “Atualmente discutimos sobre um abrigo regional para as vítimas, pois a Cidade não tem. Também debatemos sobre o atendimento ao agressor, algo importante já que ele saí de um relacionamento violento e pode entrar em outro.”

O Comdim promove a Semana da Mulher, ações educativas nas escolas municipais e debates em parceria com o Creas.

16/05/2019

Texto: Larissa França

Foto: Divulgação

 

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