Psicóloga hospitalar destaca benefícios da Visita Aberta

O Hospital Municipal Irmã Dulce acaba de adotar a Visita Aberta. A medida, incentivada pelo Ministério da Saúde, não apenas facilita o acesso da família como ajuda o paciente no processo de cura, evitando o chamado hospitalismo, que surge pela privação do meio social em internações prolongadas.

Quem explica é a psicóloga Vanessa Bizzo Lobo, que integra a Comissão de Humanização e conheceu experiências positivas de outros hospitais gerenciados pela Fundação do ABC (FUABC) na 2ª Mostra de Projetos de Responsabilidade Social e Humanização realizada na Faculdade de Medicina do ABC, no dia 3.

“Mesmo humanizado, o ambiente hospitalar pode parecer hostil ao paciente, até pelas medicações e manipulações feitas durante o tratamento, e traz em si uma conotação simbólica ameaçadora. Isso gera insegurança. Se ele está sozinho, sem ter com quem dividir essa angústia, tudo se agrava”, explica. “A pessoa vai perdendo o sono, o apetite, a vontade. Pode vir a ter pesadelos e desenvolver estresse.”

A psicóloga explica que nesse processo, a pessoa se interioriza tanto que tudo parece maior, fica mais intenso, amplificando a dor e o mal-estar. “Se tem um familiar ao lado, ela desvia o foco para o mundo externo, o sofrimento psíquico é menor. A Visita Aberta colabora nesse sentido”, esclarece. “A simples notícia de um jogo de futebol pode ajudar o paciente a sair um pouco da rotina hospitalar.”

Do ponto de vista dos familiares e amigos, a iniciativa traz benefícios em duas situações antagônicas: nascimento e morte.

“Na nossa sociedade, o nascimento é supervalorizado. Todos querem conhecer o bebê tão logo nasce, ainda na Maternidade, e quando não podem é quase como um ritual que não se concretiza”, prossegue. Além dos pais, que não contam como visita, o recém-nascido pode receber o carinho dos avós, tios e irmãos.

No caso de pacientes terminais, a Visita Aberta dá oportunidade de parentes e amigos estar presentes nos últimos momentos de vida e os ajuda a assimilar a simbolização do luto. “Do contrário, fica tudo mais difícil.”

Gazeta do Litoral
[ 15:27 ] Sexta-feira
12 de março de 2010

 

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